terça-feira, 22 de julho de 2008

Somos ilhas cercados por mares de pequenos negócios...

Antes a oficina Jafas era Wolks. O nome continua o mesmo,
mas agora é multimarca


Pensando bem, somos ilhas cercadas de mares de pequenos negócios e de trabalhadores por conta próprias. São tantos e numerosos que se pensamos em mar, pensamos em cardumes. Se pensamos em céu, constelações. Guardam relação entre si e mantém fortes laços afetivos com a comunidade.

Só na Asa Norte, que é uma parte do Plano Piloto que conheço bem, são pessoas estabelecidas há mais de 30 anos, que criaram filhos e netos em atividades como de mecânicos, lanterneiros, consertadores de panelas, chaveiros, bancas de revistas e por aí vai. Negócios formais e informais que passam de pai para filho ou filhas.

Júnior e irmãos continuaram o negócio do pai,
cada qual com sua especialidade

A oficina mecânica Jafas, da 707 Norte, conserta desde o primeiro carro do meu cunhado Luiz Gonzaga Coimbra, um fusca, lá pelos idos de 1973. Não há carro da família que não tenha passado pela oficina do senhor Jafa, mais conhecido como Pelé, já falecido. Hoje quem toma conta da oficina, que mantem o nome, é o Júnior que aparece aí, revisando meu carro nesta terça-feira antes que eu saia, enfim, em férias.

Como a oficina é pequena, o primeiro exame dos veículos
é feito no estacionamento lateral


Pelé e o seu filho Júnior são daqueles mecânicos que consertam carro de ouvido, como se afinassem um instrumento. O irmão do Júnior capricha na laternagem em outra oficina. Faz orçamento na casa do freguês com hora marcada. Serviço de primeira. Um vez, valendo-se do serviço dos dois, freguês para sempre. Meu carro tem ficha médica nessa oficina. Detesto as grandes autorizadas com quele pessoal que atende carro como se fosse em consultório médico, de jaleco branco e aparelhos de ouvir motor e tirar pressão.

Meu primeiro carro, comprado em 1994, tinha onze anos de idade e era Pelé que sempre dava jeito nele. Um dia resolvi vender. Quem comprou na hora em dinheiro vivo? O Pelé. Era um Voyage. Alguém lembra-se desse carro? Pois bem, quando entreguei o carro ele estava uma esculhambação só, porque sempre pensando em ter logo um zero, mesmo que básico, eu não lhe dava a devida atenção. Os estofamentos estavam simplesmente uma lástima. Pois bem, passado uns quinze dias, vejo o meu ex desfilando pela W3 Norte todo formoso, de estofados nos trinques, lataria que era uma beleza! Júnior me contou que o carro ficou um tempão com um de seus irmãos. Mais tarde foi vendido para um vizinho que ainda não se desfez dele.

Um comentário:

junior disse...

clara adorei seu comentari parabens.ass:JAFA JUNIOR